Seguros inclusivos avançados com inovação, novos modelos de distribuição e foco nas comunidades

Seguros inclusivos avançados com inovação, novos modelos de distribuição e foco nas comunidades
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As soluções já exigidas por garantias reforçam que a inovação, a confiança e a proximidade com o consumidor são fatores decisivos para ampliar a proteção financeira no país
Os seguros inclusivos e microseguros, além de produtos de vida, previdência e capitalização voltadas às classes C, D e E ganharam novas estratégias para ampliar sua presença no mercado brasileiro. Experiências apresentadas durante o painel “Seguros Inclusivos em Ação”, promovido pela CNseg nesta terça-feira (14), mostraram que inovação, novos canais de distribuição, linguagem acessível e proximidade com as comunidades e periferias estão abrindo espaço para a expansão da proteção financeira no país.

O debate reunido representa de diferentes seguros para apresentar soluções já em operação e reforçar que a ampliação dos seguros inclusivos deixou de ser apenas uma discussão conceitual para se tornar uma agenda estratégica do mercado. A iniciativa integra o trabalho permanente desenvolvido pela Comissão de Seguros Inclusivos da CNseg, que atua como um observatório para acompanhar oportunidades, compartilhar boas práticas e estimular o desenvolvimento de soluções voltadas para a ampliação da proteção financeira da população.

“Existe um erro original das garantias de acreditar que seus produtos servem igualmente para todos. O problema não é o mercado, nem a regulação. É um desafio de desenho. Falta coragem para experimentar modelos novos, conhecer territórios diferentes e construir soluções adequadas para esses públicos”, explicou Leonardo Lourenço, presidente da comissão e executivo da MAG. Segundo ele, a própria comissão avaliou recentemente os principais obstáculos regulatórios para a expansão dos segmentos e concluiu que as barreiras são hoje relativamente pequenas.

A diretora de Sustentabilidade da CNseg, Claudia Prates, que moderou o debate, destacou que o compartilhamento de experiências entre as seguranças vem sendo um dos principais instrumentos para acelerar o desenvolvimento dos seguros inclusivos. Segundo ela, além da pesquisa inédita apresentada durante o evento Seguro para Todos os Bolsos, a Comissão de Seguros Inclusivos promove reuniões permanentes para troca de boas práticas e trabalhos, em parceria com a Superintendência de Seguros Privados (Susep), na elaboração de um guia de carreira ao desenvolvimento do segmento.

As experiências apresentadas demonstraram que a expansão dos seguros inclusivos deixou de ser apenas uma discussão sobre acesso e passou a integrar a estratégia de crescimento do mercado segurador.

“Há mais de 20 anos o mercado discute seguros inclusivos. Hoje conseguimos uma coalizão de pessoas comprometidas com essa agenda. O papel da comissão é justamente conectar experiências, compartilhar aprendizados e mostrar que já existem iniciativas concretas capazes de ampliar o acesso da população à proteção financeira”, disse.

Experiências práticas

O painel “Seguros Inclusivos em Ação” trouxe alguns exemplos de projetos em execução no âmbito dos seguros inclusivos:

MAG Seguros: Leonardo Lourenço destacou o projeto Favela Seguros, desenvolvido em parceria com a Favela Holding, vinculada à CUFA, como exemplo de uma estratégia construída a partir da realidade das comunidades. O projeto foi estruturado para gerar confiança antes mesmo da venda do seguro.
Toda a equipe é responsável pelo relacionamento com o público pertence às próprias comunidades, enquanto a segurança fornece a estrutura técnica dos produtos. Para o executivo, o principal aprendizado foi abandonar modelos prontos e construir soluções em conjunto com os moradores que a empresa buscava alcançar.

Bradesco Seguros: A superintendente de Sustentabilidade da Segurança, Ivani Benazzi, apresentou a experiência da companhia na distribuição de seguros inclusivos por meio da rede de bancos correspondentes.

A executiva destacou que a segurança está presente em aproximadamente 5 mil municípios, utilizando uma estrutura formada por cerca de 39 mil correspondentes que atuam em regiões onde muitas vezes não existem agências bancárias. Em 2025, apenas por esse canal, foram comercializadas cerca de 800 mil agências de seguros voltadas para esse público.

Ivani destacou que a estratégia combina tecnologia, capacitação e adaptação da linguagem para diferentes regiões do país, incluindo comunidades quilombolas, indígenas e municípios da Amazônia Legal.

CNP Assurances: o diretor de Relações Institucionais, Comunicação e ESG da empresa, Gregoire Saint Gal de Pons, apresentou a experiência internacional da companhia no desenvolvimento de seguros inclusivos.

De acordo com ele, desenhar produtos é apenas parte do desafio. Para ganhar escala, é necessário simplificar processos, integrar tecnologia aos canais de distribuição e oferecer uma experiência positiva tanto para o cliente quanto para quem comercializa os seguros.

O executivo também destacou iniciativas voltadas à simplificação da linguagem dos contratos de seguro e programas de educação financeira desenvolvidos em parceria com instituições públicas.
MAPFRE: Ivo Kanashiro, superintendente de Sustentabilidade, ressaltou que a experiência da companhia mostrou que a confiança é construída por meio da presença nas comunidades, da escuta ativa e da adaptação da linguagem.Para ele, a comunicação é parte essencial da estratégia.

Não basta levar o produto. É preciso fazer com que as pessoas compreendam seu valor e percebam que aquele seguro também foi pensado para elas.
Soluções apontadas pelo mercado

Elaboração do Guia Setorial de Seguros Inclusivos, a partir de proposição da Susep, para orientar o desenvolvimento do segmento;
Expansão da distribuição por meio de correspondentes capacitados e adaptação às realidades locais;
Fortalecimento da confiança por meio da presença nas comunidades, comunicação adequada e escuta ativa, orientando o desenvolvimento de produtos aderentes às necessidades da população;
Desenvolvimento de produtos simplificados, e não desvalorizados, adequados à realidade dos diferentes públicos;
Integração tecnológica e simplificação da jornada de contratação, tornando a venda mais ágil e acessível;
Simplificação da linguagem para ampliar a compreensão e o acesso aos seguros;
Reconhecimento dos seguros inclusivos como estratégia de ampliação da proteção financeira e de desenvolvimento econômico do país.

Claudia Prates ressaltou que o trabalho da Comissão de Seguros Inclusivos é permanente e vai muito além da realização de eventos. Segundo ela, a agenda inclui estudos, troca contínua de experiências entre as empresas, desenvolvimento de materiais técnicos em parceria com a Susep e ações voltadas para a aproximação entre o mercado segurador e as comunidades. A diretora antecipou que a CNsegárá novas iniciativas sobre o tema, incluindo atividades diretamente nas comunidades para ampliar o diálogo com os consumidores e compreender suas necessidades de proteção financeira.

Ao conectar empresas, reguladores e especialistas, a Comissão de Seguros Inclusivos da CNseg consolida uma agenda permanente voltada ao desenvolvimento de soluções capazes de ampliar a proteção financeira da população brasileira.