Incêndios florestais na Europa elevam prêmios de risco e pressionam seguradoras

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Incêndios em Portugal, Grécia e Espanha elevam risco para seguradoras e pressionam agricultura e turismo.

A onda de incêndios florestais que atinge Portugal, Grécia e Espanha desde o início de julho de 2026 já mobiliza milhares de bombeiros e acendeu alertas nos mercados de resseguro e de commodities agrícolas. As chamas, alimentadas por ventos fortes e temperaturas elevadas, queimaram mais de 12 mil hectares em Portugal e 2,2 mil hectares na Catalunha, enquanto fumaça tóxica de uma usina de reciclagem atingida pelo fogo em Tessalônica obrigou autoridades a recomendar que moradores permaneçam em ambientes fechados. O episódio ocorre dias após outro incêndio na mesma região grega ter causado a morte de um menino de 12 anos e seu pai, reforçando a percepção de que o verão europeu pode gerar perdas econômicas significativas para seguradoras, operadores de turismo e produtores de azeite.

Para o mercado financeiro, a sazonalidade de incêndios no sul da Europa tende a elevar os prêmios de resseguro patrimonial e rural, especialmente em países como Portugal e Grécia, onde a exposição a incêndios tem crescido com as mudanças climáticas. A agência europeia Copernicus já mapeou a extensão das áreas queimadas, dados que serão usados por resseguradoras para calibrar modelos de risco. Ações de companhias de seguros listadas em Bolsas europeias podem sofrer ajustes de curto prazo, enquanto títulos soberanos de países mais afetados podem ver spreads ligeiramente ampliados, embora o impacto fiscal imediato ainda seja limitado.

Impacto no setor de seguros e resseguros

As queimadas em Portugal, Grécia e Espanha já destruíram centenas de hectares de floresta, áreas agrícolas e instalações industriais, como a usina de reciclagem em Oraiokastro, subúrbio de Tessalônica. Prefeituras locais estimam danos materiais em imóveis e empresas, mas uma avaliação completa ainda não foi divulgada. No mercado de resseguros, eventos de grande escala como este — especialmente quando simultâneos em múltiplos países — podem desencadear acionamento de cláusulas de catástrofe natural, elevando o custo de renovação de apólices para o próximo ano.

Na Grécia, onde cerca de 85% dos incêndios florestais são causados por negligência humana, segundo o porta-voz do Corpo de Bombeiros, o brigadeiro Ioannis Artopoios, o governo tem investido em tecnologia de monitoramento por satélites. Uma frota de quatro satélites lançados em maio promete aumentar a capacidade de detecção precoce, o que pode reduzir perdas futuras e, consequentemente, os prêmios de seguro em regiões de alto risco. No curto prazo, no entanto, as resseguradoras devem revisar para cima as taxas para propriedades em áreas de interface urbano-florestal.

Riscos para infraestrutura energética e logística

O incêndio que atingiu a usina de reciclagem perto de Tessalônica gerou nuvens de fumaça tóxica, forçando a evacuação de três bairros e de uma instalação que abriga 157 pessoas com deficiência. Além dos riscos à saúde, o incidente expõe vulnerabilidades na infraestrutura de gestão de resíduos e na cadeia de reciclagem de materiais, que podem sofrer interrupções na coleta e processamento na região norte da Grécia. Empresas do setor de utilities e de resíduos sólidos listadas em Atenas podem enfrentar custos extras com descontaminação e paralisação temporária de operações.

Em Portugal, o incêndio na região de Vouzela, no centro do país, consumiu 12 mil hectares e mobilizou mais de 1.200 bombeiros, 400 veículos e 15 aeronaves. Apesar de o fogo não ter mais grandes frentes ativas, alguns focos persistem. A proteção civil conta com o apoio de 120 bombeiros espanhóis e 45 veículos, além de três aeronaves italianas. A logística de combate e o fechamento de estradas podem impactar o transporte de mercadorias e o turismo rural, setor importante para a economia local.

Consequências para a agricultura e o turismo

Na Espanha, o incêndio florestal em Girona, nordeste do país, já devastou quase 2,2 mil hectares e apresenta um perímetro de 40 km. O chefe de operações do Serviço de Bombeiros da Catalunha, Eduard Martinez, sinalizou que o controle total pode não ocorrer no domingo. A região é conhecida pela produção de azeite e vinhos, além de ser um polo turístico. Perdas de safra e danos a propriedades rurais devem pressionar os preços do azeite de oliva espanhol, que já vinham em trajetória de alta devido à seca.

O turismo, que responde por parcela relevante do PIB de Portugal, Grécia e Espanha, pode sofrer com cancelamentos de reservas nas áreas afetadas, especialmente nas proximidades das chamas. Embora os grandes centros turísticos como Lisboa, Atenas e Barcelona não estejam sob ameaça direta, a cobertura midiática e as imagens de fumaça podem desencorajar investimentos em ações de companhias aéreas e redes hoteleiras expostas à sazonalidade do verão europeu. Investidores devem monitorar os balanços das empresas de turismo e a evolução dos incêndios nos próximos dias.

https://www.spacemoney.com.br/investimentos/incendios-florestais-europa-premios-risco-seguradoras/

Fonte: SpaceMoney