Durante entrevista coletiva no último dia 15 de abril, o presidente da Confederação Nacional das Seguradoras, Dyogo Oliveira, apresentou a nova projeção de crescimento do segmento segurador brasileiro para 2026, na faixa de 5,7% e uma arrecadação de R$ 808 bilhões. Em dezembro de 2025, a projeção da entidade era de um crescimento de 8% para este ano.
Conforme Oliveira, a guerra no Oriente Médio e as implicações econômicas foram pontos determinantes para a revisão das projeções. “Monitoramos com atenção a instabilidade no Oriente Médio, pois a crise impacta diretamente os preços do petróleo e a inflação.
Essas pressões acabam influenciando a trajetória da Selic e o crescimento do PIB. Como o setor de seguros é um reflexo direto da saúde da economia, qualquer redução na atividade econômica ou na renda das famílias acaba resultando em uma menor demanda por proteção”.
Também se mantém o impacto negativo da incidência do IOF sobre a Previdência Privada, principalmente nos planos VGBL. Em 2025, a redução na captação foi de 20% na comparação com 2024, caindo de R$ 185 para R$ 155 bilhões. A perspectiva para 2026 é de uma redução de 4,5% em relação a 2025.
Ao detalhar a previdência complementar, Dyogo Oliveira disse que existe uma tese equivocada de que o produto é para pessoas ricas. “Os levantamentos indicam que 97% dos detentores de planos VGBL possuem reserva acumulada inferior a R$ 1 milhão, sendo que a média de contribuição é pouco menor de R$ 8 mil ao ano. Apenas 0,1% dos participantes têm reserva de mais de R$ 10 milhões”, afirmou.
Ressaltou ainda que R$ 50 bilhões deixaram de ser aplicados nos planos em 2025. “Este dinheiro migrou para outros investimentos, principalmente para a LCI e LCA. Além disso, o governo deixou de arrecadar R$ 7 bilhões”.
Outros setores vão manter a projeção de crescimento, como os de saúde (9%), vida (7,4%), seguros massificados (11%), Responsabilidade Civil (4,5%), transportes (8,1%) e saúde (9%). O mesmo não ocorre para os setores de riscos de engenharia (- 6,4%) e rural (- 3,9%).
No segmento habitacional, a expectativa é de crescimento de 12,8%, apoiado na expansão do crédito imobiliário, no déficit habitacional ainda elevado e no avanço de programas habitacionais públicos.
Em relação ao seguro auto, o crescimento previsto é de 7,1%, com 2,6 milhões de veículos novos emplacados. A tendência de aumento ocorre em cima do crescimento da frota que atua em aplicativos e dos veículos híbridos e elétricos.
Apesar de um ambiente econômico ainda desafiador, a CNseg avalia que o setor mantém fundamentos sólidos, sustentados pela diversificação de produtos, aumento da conscientização sobre proteção financeira e expansão do crédito em áreas como habitação e consumo.
CNseg/Divulgação/JC

