O Dia da Consciência Negra , realizado em 20 de novembro, é um dado fundamental para reafirmar o compromisso da sociedade brasileira com a promoção da igualdade racial, o enfrentamento ao racismo estrutural e a valorização da contribuição histórica e cultural da população negra. Para o setor segurador, esta reflexão é especialmente relevante: a construção de uma sociedade mais equânime fortalece a confiança nas instituições e promove condições para que mais pessoas possam planejar seu futuro com segurança e dignidade.
A urgência desse debate se reforça quando se observam os dados do mercado de trabalho brasileiro. Segundo dados do último Síntese de Indicadores Sociais (SIS) do IBGE, o rendimento-hora da população branca segue 61,4% maior do que o de pretos e pardos , revelando uma desigualdade persistente.
Em 2024, o DIEESE apontou que a taxa de desocupação entre negros é de 8%, enquanto entre não negros fica em 5,5%. A informalidade também expõe esse abismo: quase metade dos trabalhadores negros ocupam posições informais : 46% das mulheres negras e 44,1% dos homens negros, ante 34% entre não negros.
Essa realidade se repete no ambiente corporativo. O Índice de Equidade Racial nas Empresas (IERE) mostrou que, em 2024, as pessoas negras representam apenas 32% do total de funcionários das empresas avaliadas , embora constituam mais de 55% da população brasileira. O mesmo estudo revela que a taxa de desocupação da mulher negra é quase o dobro do homem branco, evidenciando como racismo e desigualdade de gênero se entrelaçam e afetam trajetórias profissionais.
O Instituto Ethos, em sua pesquisa Perfil Social, Racial e de Gênero (2023-2024) , que conta com a participação de grandes empresas, incluindo, mas não exclusivamente, companhias do setor segurador, reforça esse cenário: pessoas negras representam apenas 31,6% do total de funcionários. Os dados convergem para um diagnóstico claro: a participação da população negra no mercado de trabalho ainda é marcada por desigualdades profundas , que se manifestam no acesso, nos salários, na posição hierárquica e na formalização das oportunidades.
No mercado de seguros, a agenda de inclusão racial é parte integrante da estratégia de desenvolvimento sustentável do setor. Ampliar a representatividade, reduzir barreiras de acesso, desenvolver produtos mais inclusivos e fomentar ambientes corporativos diversos são ações que reforçam o papel social da segurança e sua capacidade de gerar impacto positivo.
Em um contexto em que a equidade racial permanece como desafio estrutural no país, destacar as iniciativas do setor segurador neste mês de novembro é uma forma de consideração e fortalecimento do compromisso do mercado com a construção de uma sociedade mais justa, plural e inclusiva.
Como parte desse esforço contínuo, a CNseg tem apoiado e incentivado diversas iniciativas de seguranças externas à promoção da equidade racial e à ampliação de oportunidades no setor. Se você deseja conhecer essas ações mais de perto, entre em contato pelo e-mail ssust@cnseg.org.br .

