Proteção veicular: a compra da insegurança

— Olá. Quero fazer uma cotação de proteção veicular para meu carro.

Disse para uma associação que entregou um folheto com a oferta “Proteja seu veículo: sem restrição de CEP, qualquer idade do veículo, sem consulta SCPC/ Serasa e sem perfil do condutor”.

— Olá. Qual o modelo do veículo?

— Renault Sandero Expression 1.6 8V Hi-Power 2016-2017. No folheto diz que posso escolher uma série de coberturas. Quero acrescentar na cotação: roubo, furto, colisão, proteção de vidros, assistência 24h, guincho, faróis e retrovisores. Precisa dos dados do condutor ou do meu endereço?

— Não é necessário. Não levamos em conta essas informações. Só um momento que farei sua cotação.

Em pouco mais de 10 minutos, a atendente retorna com o preço: pagamento de taxa de adesão de R$ 299 (à vista) + 12 parcelas de R$ 148,31, dando o total de R$ 2.078,72. A atendente logo fala:

— Esse plano mensal é o mais básico, cobre apenas roubo, furto e assistência completa. Para todas as coberturas que pediu, as parcelas ficam em R$ 203,13 [ou seja, total de R$ 2.533,43].

Apesar de conhecer as diferenças do seguro e da proteção veicular, questionei a vendedora para saber se realmente explicaria o serviço que, teoricamente, estava contratando:

— Como funciona a proteção veicular? Como sempre fiz seguro, quero saber se realmente compensa.

— Entendo – disse ela – A proteção veicular é igual o seguro, a diferença é que não fazemos análise de perfil, assim, independente de quem estiver dirigindo seu carro, você receberá a indenização em 100% da Tabela Fipe. É um serviço totalmente garantido.

— No folheto que recebi, consta, no topo, o nome de uma empresa e, no rodapé, o de outra companhia. Qual empresa está prestando o serviço?

— A “empresa X” é o escritório representante da “empresa Y”, mas caso aconteça algum sinistro, você vai resolver diretamente com a “empresa Y”.

— Então, é como se fosse uma corretora de seguros e uma seguradora?

— Isso. Exatamente.

Agradeci as informações e fiquei de retornar, caso resolvesse contratar. Na sequência, passei os mesmos dados do veículo para uma corretora de seguros, que, naturalmente solicitou as informações de perfil. Para meu espanto, pelas mesmas coberturas, o seguro ficou com melhor preço: R$ 2.225,00.

Análise de reputação

Em uma pesquisa no site Reclame Aqui, o JCS colocou o nome da “empresa Y” para saber os principais problemas relatados pelas pessoas que contratam a proteção veicular. No período de 1º de agosto de 2017 a 31 de julho de 2018, foram computadas 34 reclamações, destas, 25 afirmam se tratar de um seguro e chamam o vendedor de “corretor de seguros”.

Esse foi o caso de uma consumidora de São Paulo, que registrou reclamação no dia 15 de março. “Precisei de um chaveiro e, ao ligar para o seguro, uma secretária eletrônica atendeu informando que dentro de alguns minutos entrariam em contato comigo.

Até hoje estou esperando […]. No entanto, decidi cancelar o seguro. Enviei uma mensagem para a corretora que fez o seguro e aguardei retorno […]. Agora eles não querem cancelar. ”

Um consumidor de Mauá registrou, no dia 25 de junho, o seguinte depoimento: “Adquiri o produto por dois fatores: falaram que era uma seguradora e pagavam 100% da Tabela Fipe do carro. Depois de várias consultas e pesquisas, soube que não se trata de uma seguradora […] se trata de uma cooperativa, que não paga o valor do carro, mas reembolsa com outro veículo”.

Pela regulamentação

A proteção veicular é um serviço que tem gerado grandes discussões na Câmara dos Deputados. Por não contar com uma regulamentação adequada, a compreensão do produto pelo consumidor fica prejudicada e, ao mesmo tempo, traz uma concorrência desleal com o mercado de seguros.

 Fonte: Sincor-SP