Miguel Junqueira Pereira

Para homenagear o Presidente do Honra do Sindsegrs, Sr. Miguel Junqueira Pereira, falecido no último dia 21, reproduzimos abaixo três textos do Presidente, extraídos da Coletânea de Editorias de Um Grande Segurador Gaúcho, publicada pela Escola Nacional de Seguros em 2010.

Seguro e a Educação

“Por ocasião da II Conferência Hemisférica de Seguros, realizada em 1948, na cidade do México, foi fixada a data de 14 de maio como o dia Continental do Seguro.

A escolha representou uma homenagem à data de abertura da I Conferência Hemisférica realizada na cidade de New York, dois anos antes.

Os apelos que se compuseram para alimenta a chama do Dia Continental do Seguro podem se resumir:

– Na oferta de proteção às populações contra a variedade dos riscos;

– Na necessidade de estruturar a idéia do seguro com capacidade de     derramar-se pelas camadas mais amplas das populações americanas;

– Na aspiração de fortalecer o conceito de cooperação, interagindo sobre todos os setores interessados na conservação do patrimônio e das rendas individuais.

Viva o Dia Continental do Seguro. Quem deve garantir o eco desse “viva”, somos todos nós operários de uma atividade que nasceu com o sentimento do homem em relação à insegurança.

Ao tomar consciência de sua limitação a criatura identificou sua religiosidade. Ao tomar consciência de sua insegurança o homem inventou o seguro. Da mesma forma que o homem, o Seguro não se realiza na solidão; sua aspiração velada aponta para a comunhão de uma sociedade organizada. Nesta, com mais nitidez se tornam evidentes os pontos nobres do seguro:

– Proporcionar tranqüilidade

– Mobilizar mão de obra

– Criar recursos para desenvolver a economia do país

– Minorar perdas da vida

– Restaurar patrimônio

Se o se humano só se realiza na comunhão da sociedade organizada, nenhum de nós pode se isolar no limite das atividades do seguro.

Claro – nosso primeiro círculo de preocupação a ele está confinado, mas suas lideranças não devem esquecer, que extrapolando essa área, existem obrigações decorrentes do grau existente de organização social e que se prendem a outros setores de cujo desempenho depende aquela organização social. É um círculo virtuoso.

A conjuntura dos dias de hoje obriga-nos a romper o âmbito limitado dos nossos interesses mais próximos, na esperança do milagre da união e da vontade coletiva capaz de sepultar as divergências e os ressentimentos.

Na medida em que os empresários se confinarem no limite restrito de suas atividades, estarão em prejuízo dessas mesmas atividades, ignorando uma dimensão maior, que é apanágio de sua condição social de empresários.

O conceito de desenvolvimento pressupõe um universo cada vez maior de pessoas produtivas com saúde e educação. (Myrdal)

Esse amplo patamar sendo, fundamental para toda atividade o será particularmente para o seguro.

A história revela que a prática do seguro aumenta na medida que a sociedade se desenvolve.

Então, meus senhores, não devemos ficar indiferentes à conjuntura atual. Nenhuma sociedade venceu o desafio de construir a casa a partir do telhado. A esta altura os senhores já estarão adivinhando a que vamos nos referir.

Aos alicerces da saúde e da educação, priorizando este último para facilitar o primeiro.

É preciso quebrar a ortodoxia dos comportamentos tradicionais. A participação do seguro no PIB denuncia o quanto estamos longe do primeiro mundo. Jamais construiremos nossa casa de primeiro mundo sem as fundações da Educação.

Se nossa resignação nos instala no terceiro mundo e não almejamos além, é certo que a performance do seguro do PIB manterá posição correspondente.

De nada adiantarão as palavras de Churchill: “Se me fosse possível, escreveria a palavra SEGUROS no umbral de cada porta, na frente de cada homem, tão convencido estou de que o seguro pode, mediante um desembolso módico livrar as famílias de catástrofes irreparáveis”.

Há menos de um ano atrás José Carlos Azevedo ex-Reitor da Universidade de Brasília observou: “Não será estudando sete vezes menos que os japoneses que iremos, com ou sem jeitinho, chegar ao desenvolvimento”.

A sociedade precisa com clareza demonstrar o que quer e o que não quer.

Para a evolução do Seguro precisamos reduzir a distância que nos separa do mundo desenvolvido. A responsabilidade também é nossa.

Nosso enfoque não guarda a pretensão de sentença indiscutível, mas serve humilde ao propósito de despertar e provocar potencialidades antes que a resignação se instale em cada um de nós.

Para concluir, gostaríamos de deixar marcados nossos agradecimentos a todos os que nos honram com suas presenças e desta forma testemunham sua consideração ao seguro, e também àqueles que pelo Brasil afora, direta ou indiretamente têm concorrido para valorizar essa atividade.”

Miguel Junqueira Pereira

Presidente do SINDESERGS

309 – Janeiro a Abril de 1991

 

O Amadurecimento Social da Empresa

No mundo conturbado em que vivemos, a raiz das disputas políticas está embalada pela necessidade de dimensionar o Estado. Este, está cedendo poder às empresas gigantes do mundo globalizado. A selva da concorrência acirrada vai oxigenando a criatividade. A comunicação global vai exibindo para todas as sociedades, as misérias de cada uma delas.

Levanta-se a urgente necessidade de ajuda ao universo dos excluídos. Surge o movimento da Empresa Cidadã, aquela que assume obrigações com a comunidade e passa a investir socialmente além do seu contorno tradicional.

Tal condição é fruto da própria evolução das exigências impostas pela disputa na aldeia global.

A luta pela conquista e manutenção dos consumidores será vencida no palco da atenção aos problemas da comunidade.

Toda a empresa deve se questionar para saber o que pode fazer pelas pessoas e pela sociedade na qual se encontra inserida.

Como ensina AKIO MORITA da Sony, “um produto para se tornar um sucesso, além de ter qualidade, deve, de forma subliminar, transpirar um estilo de vida valorizado pelos consumidores da sociedade onde é ofertado”. Ou seja, dentre os produtos vendidos por diversas empresas, terão mais chances aqueles que exalam a imagem da empresa comprometida com projetos sociais.

Os consumidores de uma forma espontânea não planejada, começa, naturalmente a exercitar um apolítica preferencial em favor dos produtos cujas empresas se mostram ostensivamente rendidas ao apelo social.

A responsabilidade social da empresa deve fazer parte de sua administração. Caminha-se para um tempo em que a capacidade de gerar lucros, está conjugada ao grau de alinhamento com o exército dos excluídos.

É fato notório já pesquisado, que os empregados de empresa envolvida com projetos sociais, são mais produtivos e comprometidos, revelando-se ufanos da empresa em que trabalham.

Para gáudio do sistema segurador algumas seguradoras já adotaram esta filosofia.

Miguel Junqueira Pereira

Presidente Sindesergs

Boletim 346 – setembro/outubro/2000

 

Não há caminhos independentes

Há muito venho batendo na tecla “super prioritária” do investimento em educação.

O mundo globalizado acentuou a interdependência de todas as atividades com efeitos conseqüentes imediatos.

A educação representa a principal para não dizer a única atividade a ser vigorosamente impulsionada.

A messe alcançará por gravidade todos os campos da vida social.

A grande barreira reside na circunstância pela qual, cada cidadão ainda não percebeu a intimidade entre educação e “o tudo mais”.

Buscamos o crescimento sem prestigiar a parceria mais relevante; ou seja, trilhamos caminhos que se imaginam independentes, com capacidade de conquistar seus objetivos, ignorando ou desprezando a educação.

O seguro que tem como madrasta uma das piores distribuição de renda do planeta, (a nossa), em cenário inverso, seria um dos grandes beneficiários. Nossa atividade que ainda não está inserida no elenco das necessidades fundamentais, receberia a poderosa alavanca proporcionada por uma distribuição de renda mais decente.

Reitero: todo aquele que trabalha com Seguro, deve ser um paladino da melhor distribuição de renda.

Quem não tem recursos para satisfazer suas necessidades fundamentais não terá patrimônio segurável (exceto a vida), nem recursos para contratar seguro.

A sentença do mundo globalizado se resume: Não é possível conquistar distribuição de renda decente sem prioridade para a Educação.

Com essa distribuição de renda que nos deixa corado no concerto das nações, o Seguro não prosperará na dimensão que convém à própria sociedade.

A pretensão de construir a casa começando pelo telhado deve ser abandonada.

Miguel Junqueira Pereira

Presidente Sindesergs

Boletim 337 – fevereiro/março/1999