Isolamento durante pandemia demanda cuidados com saúde mental

Em 18 de maio é comemorado o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, que se caracteriza pela busca dos direitos das pessoas com sofrimento mental e que têm, como todo cidadão, o direito à liberdade, a viver em sociedade e a receber cuidado e tratamento. Este ano, as restrições impostas pela pandemia do novo coronavírus obrigaram a sociedade a usar a criatividade para se aproximar dos temas que estão em destaque no momento.

“Esta pode ser uma grande oportunidade para a sociedade entender o quanto o isolamento e o distanciamento social podem afetar a saúde mental”, explica a enfermeira Marilise Fraga de Souza, chefe da Divisão de Políticas Transversais na Secretaria da Saúde (SES/RS). Conforme ela, o modelo de cuidado antes utilizado, com restrição de liberdade e segregação das pessoas com transtornos mentais, não deve ser aplicado a nenhum cidadão, independente das suas condições de saúde mental.

Marilise explica que a situação de isolamento acarreta uma exacerbação de sentimentos e a atenção às pessoas com transtornos mentais deve ser redobrada. “O usuário, as famílias/cuidadores e os profissionais de saúde devem estar atentos para possíveis alterações de comportamento e agudização dos quadros”. Orienta que estes usuários devem manter tratamento e uso regular da medicação. Diz ser importante informar também sobre os aspectos que envolvem a pandemia: origem, consequências, cuidados a serem tomados.

A enfermeira explica ainda que, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), do ponto de vista da saúde mental, uma epidemia de grande magnitude implica em perturbação psicossocial, em que a população sofre tensões e angústias. Em virtude disto, parte da população pode sofrer alguma manifestação psicopatológica. Alguns inclusive necessitando de abordagem profissional. Nestes casos, deve-se buscar ajuda junto aos serviços de saúde. “Pensando nisso, a SES/RS, em parceria com outras Instituições, disponibiliza atendimento online/telefônico por profissionais de saúde mental previamente cadastrados de forma gratuita a quem necessitar, através da Plataforma ReviraSaúde”.

A OMS traz algumas recomendações importantes, que podem reduzir o sofrimento mental durante a pandemia como: não medicalizar as situações do cotidiano da vida; nem necessariamente tratar as pessoas como doentes psiquiátricos; atender as necessidades básicas dos indivíduos; proporcionar apoio emocional e um senso de conexão com outras pessoas; facilitar para que expressem ou contem sua história e deixem suas emoções aflorar; refletir sobre o ocorrido e como enfrentar o futuro; orientações práticas e abertura de canais de ajuda; prover o máximo de informação possível e escutar os problemas para ajudar com que sejam canalizados; promover o retorno à vida cotidiana, o quanto antes; além de apoio espiritual ou religioso.

Luta Antimanicomial

O Movimento da Reforma Psiquiátrica iniciou no final da década de 70, durante o período da redemocratização e da reforma sanitária brasileira. O Rio Grande do Sul foi pioneiro na Reforma Psiquiátrica, criando a Lei Estadual 9.716, em 1992, enquanto no Brasil a aprovação da Lei 10.216 ocorreu em 2001. As legislações tratam da proteção dos direitos das pessoas com transtornos mentais e redireciona o modelo de assistência.

Fonte: Secretaria da Saúde RS