Previdência social: quem paga é a sociedade

Seja na França ou no Brasil, entender a reforma da previdência é uma necessidade. “Cada um precisa fazer a sua previdência. O primeiro passo é economizar”, aconselha Nilton Molina, presidente do Conselho Administrativo da MAG Seguros e um dos grandes nomes do seguro de pessoas no Brasil.

Se na década de 1960 o plano de aposentadoria era a própria família cuidar dos idosos – nessa época, a média de filhos por mulheres era de 6 -, hoje a história é outra. Desde 2005, a taxa de reposição é de 2,1 filhos, ano em que o Brasil começou a ter a taxa negativa.

A essa estatística junta-se o fato de que, atualmente, temos 47 milhões de crianças, e a projeção para 2065 é de apenas 28 milhões; dos 140 milhões de brasileiros em idade produtiva hoje, haverá 131 milhões; os idosos, que são 16 milhões, aumentarão para 50 milhões. A população estabilizará em 2030 e, a partir de 2050, começará a cair 0,2% ao ano.

“Precisamos ajudar o país, a sociedade brasileira e o brasileiro a entender que a reforma da previdência é uma necessidade. Ela vai se agravar mais ainda. Cada um precisa fazer a sua previdência.

O primeiro passo é economizar”, disse Nilton Molina, presidente do Conselho de Administração da MAG Seguros, ao contextualizar utilizando como exemplo a situação na França, país que enfrenta uma das maiores greves da sua história. O motivo: a reforma da previdência. “O mundo inteiro está no mesmo barco em termos de longevidade. A reforma atinge universalmente”. 

A conta não fecha

De forma didática, Molina expôs a ineficiência do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) frente às necessidades aos jornalistas durante o Magnext, conferência anual do Grupo Mongeral Aegon, agora MAG Seguros, realizada nos dias 9 e 10 de janeiro.

Segundo um de seus exemplos, um homem que trabalhou durante alguns anos, se aposenta e argumenta: ‘paguei o sistema a vida toda. Ganhava R$ 45 mil e agora estou aposentado com R$ 4 mil’.

“Nenhum brasileiro pagou sobre esse salário no regime geral de previdência social. O máximo que foi pago é 11% para os altos salários sobre o teto, que é R$ 5,8 mil”, explica ao comentar que, embora as pessoas digam que quem paga é o governo, é preciso lembrar que nós, como sociedade, somos o governo.

“Não tem almoço de graça. Se o professor ganhava R$3 mil, pagou durante 25 anos e vai receber durante 40 anos, alguém está pagando essa conta. No Brasil, daqui a 15 anos, o maior benefício do seguro social será equivalente a um salário mínimo. Isso já é uma realidade nos EUA”.

FONTE: Revista Cobertura