Em próxima etapa, governo vai tentar zerar DPVAT; briga com seguradoras deve parar na Justiça

O ministro da economia, Paulo Guedes, cumprimenta os jornalistas ao chegar ao Ministério da Economia. (Foto: Antonio Cruz/Agência Brasil.

Painel

A César o que é de César A decisão do STF que autorizou a redução do DPVAT neste ano não encerra a queda de braço travada pela área econômica com as administradoras do seguro.

A Susep (Superintendência de Seguros Privados), ligada ao Ministério da Economia, quer eliminar a trava legal que impede zerar o valor da proteção obrigatória para carros e motos, o que pode anular a cobrança por até cinco anos. Para o órgão, as empresas cobraram mais do que deviam no passado e o dinheiro é do consumidor.

Verão passado No recurso apresentado ao Supremo, a Susep afirma que o consórcio de seguradoras que administra o DPVAT, a Líder, acumulou R$ 8,9 bilhões de dinheiro cobrado a mais do contribuinte no passado, e essas reservas devem ser usadas, agora, para reduzir a arrecadação.

Fundo do baú O montante, porém, pode ser maior. A Susep apura se a Líder fez despesas administrativas não autorizadas nos últimos dez anos, que acabaram embutidas no valor cobrado dos consumidores. A entidade calcula que as empresas podem ter que devolver mais R$ 1 bilhão.

Vai ter luta Empresas que compõem o consórcio contestam –na sua visão, o dinheiro é privado, resultado de serviço prestado. A pendenga pode parar na Justiça.

Batizado Técnicos do governo têm denominado a Líder como um cartel, o que já indica o humor atual do poder público com o consórcio.

Vendeta Medida provisória que propõe a extinção do DPVAT enfrenta resistência de líderes da centro-direita, que consideram a ofensiva uma vingança de Jair Bolsonaro contra Luciano Bivar (PSL-PE), dono de uma das empresas que compõem a Líder.

Fonte: Folha de S.Paulo