AXA estuda trazer para o Brasil soluções inovadoras de microsseguros

De olho num potencial nicho de negócio no Brasil, conhecido como microsseguro, a AXA Brasil enviou Guilherme Menezes, diretor de Vida e Parcerias, para participar de uma reunião com 60 executivos para conhecer mais de perto a Índia, berço deste tipo de apólice desenhada para quem vive com cerca de dois dólares por dia. Mesmo com uma renda tão baixa, muitos compram proteção financeira.

Mais de 280 milhões de pessoas em todo o mundo têm uma apólice de microsseguro, segmento que movimenta algo em torno de US$ 2,4 bilhões por ano, segundo dados do The Network’s World Map of Microinsurance, divulgado pela Microinsurance Network, uma organização global sem fins lucrativos que reúne especialistas em microsseguro, composta por 80 membros institucionais de mais de 40 países comprometidos em promover o desenvolvimento e serviços de seguro para pessoas de baixa renda.

A seguradora francesa está na Índia desde 2006 estudando o mercado de microsseguro. Em 2009, lançou seu primeiro produto. Mas foi no ano passado que lançou um seguro de acidentes pessoais que custa cerca de 2 reais por mês e é vendida de forma totalmente digital pelo celular.

Segundo Menezes, a apólice custa cerca de 58 centavos de euros para uma cobertura de 13 mil euros em caso de qualquer acidente pessoal. “A maioria dos clientes acidentados usa boa parte da indenização para comprar uma vaca, pois ela sustentará a família até que o equilíbrio financeiro seja restabelecido no período pós acidente”, informa.

Em um ano, a AXA registrou a venda de 80 mil apólices por mês de microsseguros na Índia. “Hum milhão no ano. O projeto do grupo é quintuplicar esse número no médio prazo. “Apesar do saneamento básico na Índia ser precário, a rede 4G funciona em qualquer lugar e todos com mais de 18 anos tem conta bancária, o que viabiliza operacionalmente a venda de produtos pelo celular”, explica.

No Brasil, a AXA pretende replicar a experiência do México, onde atua desde 2010 em uma parceria como o banco Banamex, pela similaridade de indicadores econômicos e regulamentação entre os dois países.

Ainda não se tem uma data do lançamento, mas uma coisa é certa: o seguro de acidentes pessoais custará menos do que os produtos hoje ofertados em varejistas por R$ 5 por mês para uma cobertura de 10 mil.

“Nosso projeto prevê um seguro com valores abaixo dos praticados atualmente. E será totalmente digital. Nosso objetivo é promover a inclusão financeira. Temos permissão para atuar com margens diferenciadas”, afirma.

O interesse das seguradoras pelo microsseguros começou com a AIG em 1997 e foi seguida por Swiss Re, Munich Re, Allianz e Zurich, conta o portal Insurance Information Institute.

Um número crescente de seguradoras ingressa nos mercados emergentes por meio de projetos de microsseguro, com oferta de produtos e serviços não cobertos por seguros tradicionais ou programas governamentais.

No produto da AXA, por exemplo, se pensou em colocar coberturas para saúde. “Mas o governo oferece bom atendimento. Então nossas coberturas visam a residência, como serviços para filtrar a água que chega da rua”, informa.

Os produtos de microsseguro tendem a custar muito menos do que os produtos tradicionais e, assim, estender a proteção a um mercado muito mais amplo. Os produtos variam em tipo e estrutura, mas geralmente são diferenciados por grandes volumes, baixo custo e administração eficiente.

Foram feitos alguns testes no Brasil, mas a venda não deslanchou. Mais recentemente, com o uso de novas tecnologias, algumas seguradoras voltaram a apostar no segmento.

Dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) mostram vendas de R$ 160 milhões e sinistros de R$ 14 milhões de janeiro a maio deste ano com microsseguros considerando-se riscos de bens, financeiros e aposentadoria.

Comparado ao mesmo período de 2018, as vendas caíram R$ 10 milhões (R$ 170 milhões) e os sinistros aumentaram R$ 1 milhão (R$ 11 milhões). Mas comparado ao mesmo período de 2015, o avanço é grande, passando para R$ 32 milhões em prêmios, com 17 seguradoras atuando no nicho.

Hoje quase 30 disputam esse mercado, que visa mitigar o risco de que pessoas pobres voltem para a miséria em uma situação de acidente ou morte do provedor financeiro.

Certamente é um segmento que visa o longo prazo e traz ganhos muitas vezes imensuráveis, como reduzir a pobreza, a desigualdade e, consequentemente, índices de violência no país, que acabam afetando outros ramos em que as seguradoras atuam, como automóvel, residência, empresarial, vida e saúde.

No mundo, as principais apólices de microsseguros são oferecidas junto com um pequeno empréstimo para viabilizar microempreendedores. Na Ásia, as operadoras de redes móveis oferecem cobertura para 40 milhões de pessoas, sendo que nove em dez, o microsseguro é a primeira experiência de uma pessoa com seguro.

Fonte: Sonho Seguro